Férias de Julho

28 07 2009

Em julho é verão por aqui. E bote verão nisso. Não tem mudança climática ou aquecimento global que mude isso. Esse ano tiveram umas chuvas bem bravas, mas o sol e o calor imperaram. E aí, com sol, calor e férias, o que todo mundo faz? Vai pra praia. Aqui, pelo menos. E a cidade de praia que mais recebe nossa visita em julho é a cidade de Salinas. É o destino ideal para gosta de lugares mais agitados, onde tocam as músicas do momento e se concentra o público mais jovem.

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Algumas empresas liberam os funcionários na sexta-feira ao meio dia, para que eles aproveitem os finais de semana de julho. E então todo mundo arruma a mochila e dirige pra Salinas. São cerca de 3 horas de carro numa estrada tranquila. A não ser pelo engarrafamento, dependendo do horário.

E engarrafamento é uma coisa normal em Salinas. Quem vai pra lá, sabe que vai passar por isso. Faz parte do processo da cidade. Mas é uma das poucas coisas chatas de lá. Salinas tem um apelo irresístivel: praia o dia inteiro. De manhã, de tarde, de noite, de madrugada. Geralmente, quem gosta de balada faz assim: Acorda na hora do almoço, vai pra praia no começo da tarde, fica o dia inteiro e come por lá mesmo, tudo que Salinas tem pra oferecer na hora da fome. Até yakissoba quentinha vc encontra na praia. Ao cair da noite você dá um pulo rápido em casa, toma um banho e se arruma pra boate na praia. Mas nem pense em passar perto da cama, ou é capaz de você ficar por lá mesmo. Depois de arrumado, siga para boate e dance até o sol nascer. Volte pra casa, durma, acorde ao meio dia e comece tudo novamente. Tem quem fique na praia direto, sem nem passar em casa. Muita gente vai pras boates de biquini e sunga, mostrando o bronzeado conquistado horas antes. Eu prefiro me recuperar com um banho.

Os carros na parte mais tranquila da praia

Os carros na parte mais tranquila da praia

Carros e mais carros na foto de Haroldo Pinto

Carros e mais carros na foto de Haroldo Pinto

Quem não gosta de badalação pode seguir à noite para o Maçarico. Por lá as famílias passeiam, jantam, fazem compras nas muitas lojinhas e quem ainda não tem idade pra boate paquera tomando sorvete. É o lado mais calmo de Salinas.

O diferente da praia em Salinas é o fato de os carros entrarem na praia. Você chega na areia de carro e senta numa mesa ao lado do seu carro, com direito a seu isopor no porta-malas recheado de lanches e bebidas. Ou você pode preferir ser atendido pelo garçom de alguma das muitas barracas da praia. Não é em todo lugar que se vê disso. Eu, ao menos, só vi aqui.

Uma pouco das areias de Salinas na foto de Junior Oliveira

Uma pouco das areias de Salinas na foto de Junior Oliveira

E também as boates chamam a atenção. São pelo menos três boates na praia esse mês. Uma ao lado da outra. E todas estilosas, com decoração exclusiva, com direito a lounge beach e atrações nacionais. E ninguém se importa de pagar R$ 70 para entrar em uma delas. E se der fome no meio da festa, pode pedir um temaki oferecido dentro da boate.

Certas coisas eu só encontro mesmo por aqui. E tudo que acontece em Salinas, eu só encontro mesmo em Salinas. Não dá pra imaginar nosso verão sem as praias do Sal. Se quiser ficar íntimo, é assim que você vai falar de Salinas. E vai poder dizer que em julho você foi pro Sal.





Estação das Docas

28 07 2009

Se não for o primeiro lugar onde um paraense leva um visitante, a Estação das Docas deve ser provavelmente o segundo lugar. Porque um dos campeões de audiência aqui em Belém é a Estação das Docas. Seja pra quem é paraense da gema, seja para um turista.

A Estação das Docas fica, lógico, ao lado das Docas do Pará. Surgiu a partir da revitalização do antigo porto da capital paraense. Assim: o povo pegou três armazéns que eram usados pela Cia de Docas do Pará e fez uma mega reforma. Os armazéns mantiveram suas características originais, mas receberam decoração, iluminação e climatização muito especiais. A Estação das Docas ocupa 500 metros de orla fluvial em uma área de 32 mil metros quadrados.

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O Armazém 1 foi batizado de Boulevard das Artes. O Armazém 2 passou a ser o Boulevard da Gastronomia. E o Armazém 3 é conhecido como Boulevard das Feiras e Exposições. Neles você encontra reunidos ótimos restaurantes (italiano, japonês, regional), sorveteria, salão de beleza, uma chopperia com produção própria, lojas de decoração e de roupas, feira de artesanato, uma área de eventos e um teatro/cinema, salas multi-uso para realização de eventos, agência de câmbio, de viagem e bancos 24 horas e há, ainda, exposições permanentes com a história do porto e arqueologia urbana. Foi lá a primeira vez que vi de perto uma âncora. No cineteatro acontece um festival de cinema que eu faço questão de acompanhar e vira e mexe você encontra filmes de arte que nenhum outro cinema em Belém apresenta.

E por lá também acontece um dos reveillons mais badalados da cidade. Eu já passei um Ano Novo lá. E uma final de Copa do Mundo também.

Muita gente diz que a Estação das Docas lembra o Puerto Madera, em Buenos Aires. Confesso que não sei se é verdade pois nunca fui. Mas se Puerto Madero for bonito que nem a Estação das Docas, tenho certeza que também vale uma visita.

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Eu adoro ir à noite para a Estação com os amigos e tomar um chopp de Bacuri – você PRECISA provar quando for lá também, nem que seja pra dizer que não gostou – e comer linguiça de metro. Mas o que me conquistou mesmo na Estação foram os almoços. Não tem nada ingual a ir almoçar por lá. Fora a comida boa, o clima de ar condicionado mesmo com sol a pino, a paisagem através dos vidros gigantes, a luz do sol refletida na água da baía do Guajará, os passarinhos que aproveitam as portas quando abrem para passear por dentro dos galpões. A vontade é de esquecer que existe trabalho depois do almoço e ficar por lá fazendo a siesta.

Seja em qua horario for, ou em vários horarios diferentes, a Estação das Docas deve ser, sem dúvida, sua primeira ou segunda opção aqui em Belém.

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http://www.estacaodasdocas.com.br





Pólo Joalheiro – Espaço São José Liberto

3 07 2009

Final de semana trabalhando sábado e domingo. O jeito é tentar aproveitar pra fazer várias coisas ao mesmo tempo. Por exemplo, um post pro blog. Neste final de semana as minhas horas extras foram passadas no Espaço São José Liberto.

O Espaço São José Liberto antigamente era um presídio, daqueles no meio da cidade, cheio de casas e empresas ao redor, com direito à rebelião, motim e capa de jornal. Até que em 2002 o presídio foi desativado e tornou-se o Espaço São José Liberto, que hoje abriga o Museu de Gemas do Pará, o Pólo Joalheiro, uma capela em estilo barroco e a Casa do Artesão. Cada antiga cela foi transformada numa loja de jóias.

A coisa mudou tanto que atualmente uma parte do espaço, o Coliseu das Artes, é inclusive  utilizada para eventos de grande porte – casamentos, coquetéis, desfiles de moda e até festival junino –  e a capela é usada para transmissão ao vivo de um programa musical da TV Cultura local.

Ao chegar você vai dar de cara com uma enorme rocha de 2,5 toneladas de cristais de quartzo.

O jardim do São José Liberto e as celas

O jardim do São José Liberto e as celas

O quartzo de 2,5 toneladas

O quartzo de 2,5 toneladas

O programa ideal no São João Liberto é chegar e ir direto pro Museu das Gemas do Pará aprender mais sobre a extração de gemas e ver as peças gigantescas retiradas dos garimpos. Depois ir ver os ourives trabalhando lá dentro mesmo, lapidando as pedras que serão montadas em jóias que são vendidas no Pólo Joalheiro. Tem coisas muito legais por lá. Principalmente porque várias jóias tem formas de ícones regionais, como o Muiraquitã. Depois você dá um pulinho na capela, conhece, fica um pouco em silêncio e pensa na vida. Aí você já pode seguir pro jardim, tirar umas fotos e depois ir conhecer a única cela que não foi transformada em loja. Lá dentro você vê algumas armas brancas montadas pelos presos, aprende um pouco das gírias da prisão e ainda vê fotos de como a cela era na época e a capa do jornal com a rebelião que aconteceu antes da desativação.

Onde os ourives lapidam as pedras

Onde os ourives lapidam as pedras

Algumas das jóias produzidas e vendidas por lá

Algumas das jóias produzidas e vendidas por lá

A única cela que não virou loja

A única cela que não virou loja

As armas feitas pelos presos e o quadro com as gírias

As armas feitas pelos presos e o quadro com as gírias

Depois de sair dessa vibe pesada, dê um pulo no Coliseu dsa Artes para comprar mais uma lembrança de Belém e admirar tudo aquilo que não vai dar pra levar na mala, mas que vai ficar na memória pra sempre.

Pronto, você já conhece o Espaço São José Liberto e já tem mais um motivo pra voltar à Belém.

O espaço onde acontecem os eventos

O espaço onde acontecem os eventos

Mais do jardim

Mais do jardim

Algumas das lembranças de Belém

Algumas das lembranças de Belém

Essa foi a que achei mais legal

Essa foi a que achei mais legal





Música Paraense

26 06 2009

Quando você estiver passeando por Belém, garanto que vai ser inevitável ouvir technobrega. Sim, você leu certo, t-e-c-h-n-o-b-r-e-g-a. Regina Casé já veio aqui em Belém fazer um programa sobre isso. Mas se você perdeu esse momento épico da televisão brasileira, agora você irá conhecer o technobrega do Pará.

E se você pensou no brega rasgado de Reginaldo Rossi ou Amado Batista, não é nada disso. Muito ao contrário. O technobrega mistura ritmos locais, uma batida agitada com mixagens, efeitos, samplers, versões nacionais de sucessos internacionais e tudo o mais o que a imaginação permitir. E não vou nem estranhar se daqui a pouco surgir um technobrega de alguma música do Michael Jackson.

Tem muita gente fã do ritmo por aqui, mas também tem quem não goste nem um pouco. Normal. Gosto não se discute.O technobrega começou como algo vindo da periferia – pra usar o mesmo termo que a Regina Casé usou – e teve seu ponto alto há uns 2 anos atrás: periferia ou elite, o technobrega se espalhou por toda as festas da cidade. Hoje ainda faz um grande sucesso por aqui, com mais calma, mas não param de surgir novas bandas e novas versões. Fora boate, não tem festa que não toque um technobrega que seja.
Há diversos DJs de technobrega pelas bandas de cá e algumas muitas aparelhagens conhecidas. Aparelhagens é o nome dado aos DJs e suas picapes que varam a madrugada tocando technobrega e suas vertentes – inclua aí o technomelody, o bregapop e outros nomes criados para denominar algo muito difícil de explicar. Melhor que explicar é ouvir. Vai ser impossível você vir a Belém e não ouvir technobrega. Afinal, ele já faz parte da cidade.

E se algum(a) paraense tirar você pra dançar, não custa nada tentar, né? Quando em Roma, faça como os romanos.





Ver-o-Peso

25 06 2009

E eis que uma vez mais eu fico sem saber por onde começar a falar.

O nosso Mercado do Ver-o-Peso é uma instituição paraense. É ponto truístico. É parte da cultura paraense. É um mercado onde se encontra de tudo. Me atrevo a dizer que o Ver-o-Peso está para Belém como a Estátua da Liberdade está para New York.  Como a Torre Eifel está para Paris. São coisas bem diferentes, sei disso. Mas é mais ou menos por aí.

foto de Mauricio Mercer

foto de Mauricio Mercer

O Ver-o-Peso – Verópa pros íntimos – tem 384 anos é é um complexo arquitetônico de 35 mil metros quadrados que engloba outras construções históricas: Mercado de Ferro, o Mercado da Carne, a Praça do Relógio, a Doca, a Feira do Açaí, a Ladeira do Castelo e o Solar da Beira. Isso é o que o Wikipédia fala.

Porque pra nós, o Ver-o-Peso é uma coisa só, do tipo tudo ao mesmo tempo agora onde você pode comprar os banhos de cheiro do post abaixo, tirar milhares de fotos, almoçar um peixinho frito da hora com menos de R$ 7 e ainda pedir um açaí na tigela de sobremesa, tomar uma cerveja gelada no final de semana apreciando a Baía do Guajará, comprar peixe, frutas, cds, chapéu mexicano, a maniva da maniçoba, bambu pra fazer tochas de luau (sim, já fiz tudo isso lá no Ver-o-Peso) e levar os amigos de fora pra visitar e também fazer algumas dessas coisas por lá. Uma das minhas pequenas alegrias do dia era aproveitar o horário do almoço e ir com os amigos do trabalho almoçar no Ver-o-Peso. Paraense que se preze precisa tirar um dia pra fazer isso.

foto de Nick Land

foto de Nick Land

Ver o peso do camarão

Ver o peso do camarão

foto de Fabio Salgado

foto de Fabio Salgado

No Ver-o-Peso todos os seus sentidos são estimulados. É uma profusão de cheiros, cores, falas, sabores sem fim. O tipo de coisa que você só encontra mesmo nos mercados de cada lugar. Vou ser honesta e dizer que à primeira vista, a impressão não é das melhores, mas vale a pena reparar nos detalhes.  A arquitetura do Ver-o-Peso é única. E encantadora.

O Ver-o-Peso amanhece com os galos. Às 4:30h…5h da madrugada começa o movimento de barcos, vendedores e alguns compradores. Mas você não precisa chegar a essa hora. Como em uma manhã é possível conhecer tudo, chegue tranquilo, passeie à vontade, faça fotos, compre um banho de cheiro e almoce por lá mesmo. E depois você já pode sair por aí dizendo que você já é um pouquinho paraense.

+

O Ver-o-Peso fica na Cidade Velha, o táxi a partir do centro da cidade sai no máximo R$ 10. Como em qualquer mercado do mundo, cuide dos seus pertences e fique de olho na máquina fotográfica.

Para saber mais do Ver-o-Peso vá aqui





Banho de Cheiro Cheiroso

25 06 2009

E aí que ontem foi dia de São João. Enquanto criava coragem pra sair da cama o Bom Dia Pará já falava que era dia de tomar o banho de cheiro, muito famoso por essas bandas de cá. Essa tornou-se então um dos objetivos do dia: conseguir as folhas pro banho de cheiro do dia de São João. O Banho de Cheiro começou como algo para se fazer no dia de São João, mas hoje em dia ele se tornou mais um costume daqui. Até comercial de televisão já foi feito usando os Banhos de Cheiro como peça central.

Confesso que só fazia no dia 31 de dezembro ou no 1º de janeiro, para garantir os bons fluidos do novo ano.  Mas esse ano resolvi fazer ontem também. Os Banhos de Cheiro viraram algo tão importante que várias folhas foram sendo combinadas para fazer banhos com objetivos específicos: tem banho pra atrair amor, dinheiro, sucesso profissional, afastar mau olhado, arranjar emprego, pra esquentar o relacionamento.

foto de Camilis

foto de Camilis

Mas o mais legal de tudo são os nomes dos banhos e os nomes das folhas utilizadas. Você pode encontrar o banho Viagra Natural, ou o Atrativo do Amor, usando as folhas carrapatinho, pega não me larga, chega-te a mim, chora nos meus pés, faz querer quem não me quer. Ou então você pode precisar mais do banho Amansa Corno, com as folhas cachorrinho, disciplina, cala boca, amansa. Ver as vendedoras explicando cada banho é uma das experiências mais engraçadas que você pode ter em Belém. Tradicionalmente os banhos de cheiro são comprados na feira do Ver-o-Peso (assunto do próximo post). Você pode comprar as folhas pra fazer o banho em casa (é só deixar em enfusão) ou já pode comprar o banho pronto, engarrafado, basta chegar em casa e jogar no corpo depois de banho ou diluir na banheira.

foto de Tinara Becker

foto de Tinara Becker

Tem quem garanta a foça do Banho de Cheiro. Tem quem dúvide. Eu, que sei que mal não faz, aproveito as tradições típicas da minha cidade e já tomei meu banho de cheiro. Em último caso, no mínimo você sai do banho cheiroso como nunca.





Maniçoba – Feijoada Paraense

18 06 2009

Mais um post de comida paraense. Coisa boa: a Maniçoba.

Outro dia li no site Brasil Sabor que “se o pato no tucupi é o rei da cozinha paraense, a maniçoba é a rainha”. E é mesmo verdade.

Vamos logo ao ponto: maniçoba é feia, confesso. Mas não deixe a aparência impedir você de provar essa delícia da cozinha paraense. Minha mãe sempre explica a Maniçoba como sendo uma feijoada paraense, mas ao invés de feijão, folha. É uma boa explicação, mas não sei se ela chega a ser convincente. Mas paraense adora.

A maniva triturada - foto de Marcelo Reis

A maniva triturada - foto de Marcelo Reis

A Maniçoba tem essa carinha meio feinha porque é feita da folha da mandioca, a maniva, que é triturada e cozida durante sete dias. “Sete dias?!”, você pode perguntar. É, sete dias. Esse é o tempo para ser eliminado da maniva um ácido que é venenoso.  Lá pelo quarto dia começa a parte do tempero e aí é só colocar coisas gostosas: pedaços de linguiça, carne de porco, carne bovina. Sei que falando assim fica uma coisa meio estranha. Eu que gosto acho estranho… Imagina quem lê sem nunca ter visto antes. Mas repito: não se deixe influenciar pela descrição. A maniçoba é gostosa demais.

Ela é servida com arroz, folhinhas de jambu (as mesmas folhinhas do tacacá que deixam a boca dormente) e camarões por cima, pra dar o charme. É normal colocar farinha, e aí você tem comida paraense da gema. Ah, e pimenta.  Tem que ter pimenta. Pimenta de cheiro, aquela amarelinha pequenina. Custa em média R$ 6,00 o prato individual nas barracas da cidade. É nas barracas, porque maniçoba boa é maniçoba de barraca.  Maniçoba gostosa em Belém é nas barracas, com o prato na mão, sentado em uma cadeira de frente pros carros passando. Igual tacacá. Eu, pelo menos, prefiro assim.

foto de Jean Barbosa

foto de Jean Barbosa

Maniçoba não é das coisas mais fáceis de se fazer, e não é todo mundo que faz. No Círio é obrigatório. No São João também. Durante o resto do ano dá pra encontrar em barraquinhas espalhadas pela cidade, mas não em todas como o tacacá.

Quando estiver frente a frente com um delicioso prato de maniçoba, deixe a primeira impressão de lado e prove. Eu agaranthio que você vai gostar.





São João na Praça

18 06 2009

São João pra mim só perde pro Círio quando o assunto é festa religiosa. Gosto muito de São João: as festas típicas, a quadrilha, as roupas, as maquiagens, as comida… Ah… as comidas! Em Belém espero com ansiedade a chegada do São João para ir na Praça Waldemar Henrique ver o concurso de quadrilhas, as apresentações de danças típicas e também pra comer as delicias que só o São João nos proporciona.

As barracaquinhas e o povo

As barraquinhas e o povo

Semana passada fomos até a praça cumprir esse ritual. O prato escolhido foi a maniçoba. Aqui aproveito pra dizer que este post se desdobrará em dois: um, que é esse aqui, sobre o São João da Praça Waldemar Henrique e outro, logo em seguida, sobre a Maniçoba.

A coisa toda na praça dura 1 mês, de terça a domingo, e é uma programação feita pela Prefeitura. Durante a festividade você vai pra lá a partir das 18h e se esbalda vendo as apresentações de dança e música daqui da cidade, escolhe uma quadrilha pra torcer e aproveita pra comer. Muito. Tacacá, vatapá, maniçoba, caruru, churrasquinho, arroz com galinha, torta salgada, bolos, doces, churros, pipoca, pastéis, cachorro quente, mingau, algodão doce. Ufa! Comida que não acaba mais.

Todo mundo escolhendo o prato da noite

Todo mundo escolhendo o prato da noite

Eu costumo chegar lá pelas 20h. Nem muito cedo nem muito tarde. E a praça está sempre com bastante gente. Chegamos, fomos ver a quadrilha. Depois de dois grupos se apresentarem, fomos para o outro palco ver as apresentações de danças regionais: carimbó, siriá, lundu, marujada. Dei meu parecer nada profissional sobre as apresentações das quadrilhas e me perdi entre as danças regionais apresentadas. Lembrei da época de colégio quando todos anos fazíamos apresentações de dança durante o São João.

Apresentação de dança regional

Apresentação de dança regional

Muita gente curtindo as quadrilhas

Muita gente curtindo as quadrilhas

A fome apertou, fomos pra umas das dezenas de barracas espalhadas pela praça escolher o prato do dia.

Depois do jantar fomos dar mais uma volta pra fazer estas fotos pobres que vocês vêem e o vídeo que segue abaixo.





Arraial do Pavulagem

15 06 2009

E na hora que eu olho pra essa tela em branco fico até meio sem saber como começar a falar do Arraial do Pavulagem pela força que tem aqui em Belém. Vou começar com a descrição oficial e depois dou meu parecer.

Na teoria, o Arraial do Pavulagem é um grupo de músicos que queriam divulgar e valorizar a música de raiz feita na região amazônica e a constituição de uma relação mais próxima com o público. Este grupo iniciou uma brincadeira aos domingos, utilizando-se da alegoria de um boi. Era o começo dos cortejos de cultura popular, denominados “Arrastões do Pavulagem”. Isso é o que diz o site. Na prática os Arrastões do Pavulagem são isso e mais.

foto de Lu Bezerra

foto de Lu Bezerra

Os Arrastões já são parte da cultura daqui. Mais ou menos 15 mil pessoas se reúnem anos domingos de Arrastão para fazer o trajeto que vai da Estação das Docas até a Praça da República. A concentração é de manhã, às 10h e a brincadeira vai até você cansar. O que acontece lá pelas 18h, porque ninguém é de ferro. Eu pelo menos não sou.

Ontem foi o primeiro domingo. Eles levaram até a praça os mastros do Pavulagem para serem erguidos. Nos dias 21 e 28 de junho e 05 de julho tem mais.

foto de Socorro Coutinho

foto de Socorro Coutinho

Durante o cortejo você vai seguindo a multidão, numa vibe meio pipoca de trio elétrico, mas sem trio e sem axé.  No lugar do trio são os bois, os bonecos cabaçudos e as bandinhas que também seguem a pé. E no lugar do axé muito carimbó e muita música regional. Mas não se preocupe se você não conhecer letra alguma. A diversão é garantida.

Garantida assim, se você gosta da coisa, lógico. Porque tenha certeza que você vai passar calor, muito calor. E muita gente vai se te chamar pra dançar e brincar com você. O ideal é comprar um chapéu com fitas, característico do Pavulagem. Proteje do sol e ainda fica de lembrança. Pode levar a máquina fotógrafica e o celular sem medo, mas não deixe te tomar conta deles. Leve dinheiro trocado pra água, pro refrigerante ou pra cerveja. E pro lanchinho quando a fome bater. Vá de tenis velhinho. E se for de sandália, vá sabendo que vão pisar no seu pé e que seu pé vai voltar molhado e bem sujo. E bem cansado, também. Porque se tudo der certo, você vai se render ao Arrastão, e vai caminhar e dançar durante muitas horas ao som do mais puro e animado carimbó paraense.

Se estiver por aqui nestes dias de arrastão, venha ver de perto.

foto de Silvia

O mastro do Pavulagem - foto de Silvia

foto de Fernanda Melonio

foto de Fernanda Melonio





Mais Publicidade Local

15 06 2009

Na sexta-feira fui comprar o presente do Dia dos Namorados (um pouco tarde, confesso…) e me deparei com os elevadores da loja adesivados com publicidade mostrando por A + B que a loja é, de fato, 100% paraense.

As fotos mostram, na ordem:

1. Foto da Bahia do Guajará, vista a partir da Casa das Onze Janelas – lugar que definitivamente merece um post aqui.

2 e 3. Brinquedos de Miriti – artesanato local. O miriti é uma fibra super ultra mega leve com a qual artesões locais fazem brinquedos infantis muito vendidos na época do Círio de Nazaré.

As fotos foram tiradas por mim e, como se pode perceber, não sou lá tão eficiente com uma câmera nas mãos.

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Gostei muito de ver estes elevadores adesivados. Espero poder voltar a falar nesse assunto muitas outras vezes por aqui. Que publicidade com motivos do Pará não me falte.








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